Pandemia acelerou inovação e levou o mercado de seguros a se reinventar

Apesar de todas as suas trágicas consequências em todo o mundo, a pandemia também foi uma oportunidade para o mercado de seguros acelerar seus projetos de inovação, além de se reinventar em vários aspectos. Em síntese, essa foi a mensagem deixada pelos convidados da sexta e última parada do “CQCS Innovation Latam”, realizada nesta quinta-feira (19), que reuniu cerca de 3 mil inscrições. O evento, que teve como tema central “Como o coronavírus mudou o mercado de seguros”, contou com as participações de Caribou Honing, chairman e co-fundador do Insuretech Connect; Edson Franco, CEO da Zurich; Tatiana Mattar, diretora de Novos Produtos da Pottencial Seguradora; além de Evandro Sales, CFO da Quiver, que foi a “Insurtech do mês”. O moderador foi o fundador do CQCS e idealizador do CQCS Innovation Latam, Gustavo Doria Filho.

Todos os participantes também manifestaram otimismo quanto ao que pode surgir no pós-pandemia. “Estou otimista. A pandemia representa uma mudança de plataforma que afeta não apenas o seguro, mas os negócios como um todo e a vida de todo mundo, É como que se fosse um terremoto ou a movimentação das placas tectônicas, que acabam criando um continente novo. Foi assim quando surgiram, os computadores, depois, a Internet, em seguida, o smartphone e outras mudanças. Todas mudaram os negócios e a vida. A Covid veio, então , como uma mudança de plataforma. Tivemos que rever suposições que eram robustas e como a gente faz a abordagem das coisas que se tornam obsoletas. Não podemos mais fazer o mesmo da mesma maneira”, comentou Caribou Honing.

Ele acrescentou que, no setor de seguros, estão ocorrendo mudanças sobre como lidar com sinistros, sem a necessidade de se levar uma pessoa para a inspeção, e o seguro de vida. “Novas oportunidades surgem para seguradoras oferecem novos serviços para clientes e corretores. É importante, agora, repensar os produtos ofertados. È preciso enfrentar a crise com espírito de reinvenção”, acentuou.

Para ele, as mudanças que estão ocorrendo também afetam o corretor de seguros. Em resposta a pergunta feita pelo chat do evento, alertou que a categoria não deve se preocupar tanto com os reflexos das inovações tecnológicas, como os carros elétricos e veículos sem motoristas, mas com o avanço da indústria automobilística do mercado de seguros.

Na visão de Caribou Honing, a melhoria que temos visto com a autonomia dos veículos, carros elétricos e até o envelhecimento da população traz implicações para o corretor, mas o impacto mas não ocorrerá ser tão relevante em 10 ou 15 anos do ponto de vida do seguro. “Acho que merece mais atenção o fato de fabricantes de carros começarem a ver o seguro como uma oportunidade de negócios. A Tesla tem falado no seguro próprio; outra seguradora fez parceria com a Porshe para seguro especifico para os carros dessa fábrica e a GM já colocou o pé no mercado de seguro. Então, não interessa a tecnologia, o que importa é que eles têm cadeia, dados e canal de vendas. O seguro é oportunidade para as fábricas de veículos. A venda direta não é a ameaça maior para os corretores. Mas, o seguro embutido na venda do carro pode ser uma preocupação, sim”, alertou.

COMPORTAMENTO.

Já Edson Franco afirmou que a pandemia trouxe a necessidade de novos produtos e serviços para atender as mudanças no comportamento do cliente. “Houve um aumento do interesse de proteção, especificamente no ramo vida. O momento é de busca de produtos que garantam a proteção, o bem-estar e por serviços online. Foi também de certa forma surpreendente o comportamento do cliente, agora mais voltado para questões sociais, em se importar com o que a seguradora faz pelo planeta e se é sustentável. Já havia isso, mas a Covid acelerou essa tendência”, comentou Franco, que também é presidente da FenaPrevi.

Ele disse ainda que algumas tendências mais comuns nas gerações mais novas, agora atingem toda a população. “Houve uma aceleração de tendências. O que apenas os millennials queriam, agora também é desejado por clientes de 72 anos ou de qualquer geração. O aumento da busca por comodidade, hoje, não depende mais da geração. Todos querem. Pessoas agora buscam cobertura para o que não prestavam atenção”, frisou.

Segundo Franco, pesquisa realizada pela Zurich identificou a maior necessidade de proteção e prevenção por parte dos clientes, agora muito mais preocupados em proteger a si mesmo e a família.
Nesse contexto, na visão dele, os corretores ganham ainda mais importância para os consumidores. “No seguro, particularmente no Brasil, a intermediação feita com corretor sempre será valiosa e valorizada, porque os conselhos são cada vez mais importantes. Principalmente agora, que as pessoas buscam conselhos. Há transformação nas seguradoras e na corretagem, mas não pode haver transformação digital que tornem as empresas menos humanas. Isso serve apenas para garantir maior eficiência e melhorar experiências do usuário. O corretor pode ser eficientes digitalmente, mas sem perder o seu principal capital que é a relação direta com os consumidores” observou Franco.

OPORTUNIDADE.

Por sua vez, Tatiana Mattar, listou alguns pontos positivos que foram acelerados pela pandemia. “A crise está sendo uma grande oportunidade para a inovação e a reinvenção. Estamos saindo mais fortes da pandemia. A Pottencial manteve as pessoas empregadas, está crescendo mais de 12% em comparação a 2019 e está atingindo os objetivos. Reinventamos a comunicação e processos, aumentamos o portfólio de clientes e, novos corretores querem fazer negócios conosco”, comemorou.

De acordo com diretora de novos produtos da Pottencial Seguradora, a Covid acelerou os projetos que a empresa planejava implementar em 2020 e os resultados têm sido favoráveis. A seguradora criou um “comitê de crise e de oportunidade” que a está ajudando a sair mais forte da pandemia. “ A Pottencial tinha decidido investir em tecnologia. Fizemos tudo o que estava planejado, mas de maneira mais rápida, revisando custos e as oportunidades para atingir objetivos estabelecidos. Ligamos e convidamos os corretores a participarem das tomadas de decisões. Foi uma mudança muito relevante para a companhia”, revelou, acentuando que a Pottencial está consolidando sua posição de líder no ramo garantia e de segundo lugar entre as seguradoras mais rentáveis no Brasil, com taxa robusta de crescimento.

Do ponto de vista corporativo, a companhia tornou mais flexível o horário de trabalho para assegurar aos funcionários mais qualidade de vida, usando um banco de horas, e ainda a forma de contratação. “Agora, podemos contratar pessoas em qualquer lugar do mundo, para trabalhar de qualquer lugar. É uma grande mudança de paradigmas”, asseverou.

INSURTECH.

Evandro Sales, CFO da Quiver, também demonstrou otimismo quanto aos efeitos da pandemia nos negócios da empresa e no desenvolvimento do mercado.
Segundo ele, as mudanças que ocorrem vão ao encontro do foco de atuação da Quiver, sempre direcionado para soluções tecnológicas para facilitar o gerenciamento dos negócios e facilitar o cotidiano dos clientes. “Temos, hoje, 53 mil usuários registrados, 38 terabytes de volume de dados armazenados, quatro milhões de clientes de todas as soluções, com quase seis milhões de apólices e R$ 29,1 bilhões de prêmio nos últimos 12 meses”, listou o executivo da “Insurtech do mês”.

O cenário de mudanças acelerou também a busca de novas soluções de de gerenciamento, multicálculo e de benefícios em um ano classificado por ele como “muito especial e estranho, com muitas mudanças e que alterou a forma de trabalhar”.

Para atender aos corretores, seguradores e demais clientes, a Quiver antecipou dois lançamentos de soluções.

A primeira foi o Quiver on, voltado para pequenos corretores de seguros e seguradoras. “Essa solução ajuda o corretor a vender online e dá suporte na cotação. Isso abre novas oportunidades para os corretores para que possam ampliar a sua maneira de trabalhar, mudar a abordagem, prospectar clientes e entender novos formatos que podem usar para vender”, comentou Sales.

O outro produto é o QuiGo Quiver, que ajuda pequenos e médios corretores de seguros. Ele explicou que essa solução que foi desenvolvida especificamente para o corretor, elimina várias etapas dos processos e não tem entrada manual, pois todo o processo é online com interface intuitiva para o corretor. “Fizemos entrevistas e constatamos que o trabalho do corretor corresponde a 90% da renda de suas casas. Eles dependem disso e com o impacto intenso da pandemia, em vários setores, é preciso buscar caminhos para melhorar a realidade do corretor”, concluiu.

EMOÇÃO.

O moderador do evento também demonstrou grande emoção ao falar da última parada do evento. Gustavo Doria Filho fez uma rápida descrição sobre as etapas realizadas este ano e cuja organização foi acelerada em razão da pandemia, que obrigou a realização de um evento virtual, ao contrário do previsto. “Decidimos fazer online e criamos o CQCS Innovation Latam, um evento trilingue com seis paradas. Este foi o melhor do ano do CQCS”, frisou Doria, que agradeceu o apoio dos conceituados participantes e também dos patrocinadores.

 

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